segunda-feira, dezembro 12, 2016

Papel em branco

No peito um aperto,
na mão a possibilidade,
na mente o desafio
de povoar esse deserto.

Lamento

Lamento
se este tormento
ainda ecoa em seu ouvido.

Lamento,
mas, que me lembre,
é no silêncio que se ouve gritos.

Lamento, como lamento,
pelo que perde o sentido.

Lamento, que não lamentes,
por um dia ter me perdido.

domingo, fevereiro 22, 2015

muda

Mudei.
Não sei bem o que,
não sei bem aonde,
só que mudei o rumo,
quando perdi o prumo, 
ao ver tudo mudar.

Mudei o que julguei necessário.
Mudei o que pude.
Mudei o inserto.
Mudei de atitude. 

Mudei o que dei conta.

E o que eu não mudei,
me mudou.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

O que fica

As lágrimas não lavam mais meu rosto,
mas a chuva.
Soluços não impedem mais meu sono,
hoje sonho.
Mágoas não ocupam mais meu coração,
que desabrocha.
A desesperança não cansa mais meu corpo,
que dança.

Tudo passa.
Ainda que devagar,
ainda que seja um vendaval,
ainda que eu não acredite.
Tudo passa,
a seu tempo,
comprometendo o meu,
mas passa.

terça-feira, janeiro 21, 2014

Ela e Deus

Alguém vai ter de olhar por minha filha
e terá de ser Deus.
Ela deu longos passos,
com buena onda,
sorriu
e cresceu.
Foi vencendo seus medos
[falta à redução das margens de erros],
agora é tanto chão longe do meu.
Só me cabe lhe dar 18 beijinhos,
imaginando os próximos,
ahora,
ela e Deus.

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Como aprendi

Se a vida registra baixas, choro.
Se dá saltos,
reequilibro.
Se é ingrata,
sou mal educada.
E se traz um presente agradeço como aprendi:
com mãos, braços e boca (com um italiano)
e amor
(com uma linda espanhola, que acaba de partir).

sábado, novembro 03, 2012

Autor

Faz tempo que não troco a rima e suporto a rotina
– quando vi,
o dia acabou.
Chega à noite é a mesma poesia,
mais um lindo dia que já se apagou.
Acordo com a chuva,
uma velha amiga,
que tantas vezes me inspirou.
No seu embalo espero o raiar do dia,
penso em um novo verso,
que eu não inspire,
seja só o autor.

quinta-feira, julho 28, 2011

Olhar

Tudo é um jeito de ver,
que pode levar a um jeito ouvir
e culminar em um jeito de sentir,
e fechar com uma lembrança –
do jeitinho que se quer guardar.

A vida também é como a vemos –
gosto de acreditar –,
mas não a longo prazo.

Tem imagens incontestáveis,
que borram na fotografia.
Sons inconfundíveis,
que distorcem a melodia.
Sensações indescritíveis,
que se revelam ao pé da letra.

quarta-feira, abril 06, 2011

Efêmero

Nada tem hora certa
nesta vida incerta,
mareada em um mar de ilusão.

Por aqui, tudo é possível
e até o impossível
dá para pegar com as duas mãos.

Mas, enquanto o esforço é grande,
a conquista é efêmera
e nem sempre vale a recordação.

sábado, fevereiro 12, 2011

Tem mais

Vivo com uma menina cheia de vida,
uma lembrança cheia de morte,
uma saudade que me enche de amor.

Vivo por um coração que bate,
quando não apanha –
culpa exclusiva deste seu autor.

Vivo quando escrevo,
Vivo quando trabalho,
até quando me entrego ao pudor.

Vivo, porque isso ainda me cabe,
porque a vida sempre promete
um pouco mais de emoção.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Mãeee...Tem lua!

Meu querido Caio,
hoje, a noite tem lua
e meu coração flutua
só pensando em você.

Meu querido Caio,
tem dia que nem vejo,
mas a lua,
não tem como não ver.

E seja a lua que for,
a luz que revele,
a inspiração que vier.
Lua, a nossa lua
meu querido Caio,
brilha,
como sempre,
para eu estar com você.