Quinta-feira, Julho 28, 2011

Olhar

Tudo é um jeito de ver,
que pode levar a um jeito ouvir
e culminar em um jeito de sentir,
e fechar com uma lembrança –
do jeitinho que se quer guardar.

A vida também é como a vemos –
gosto de declarar –,
mas não a longo prazo.

Tem imagens incontestáveis,
que borram na fotografia.
Sons inconfundíveis,
que distorcem a melodia.
Sensações indescritíveis,
que se revelam ao pé da letra.

Quarta-feira, Abril 06, 2011

Efêmero

Nada tem hora certa
nesta vida incerta,
mareada em um mar de ilusão.

Por aqui, tudo é possível
e até o impossível
dá para pegar com as duas mãos.

Mas, enquanto o esforço é grande,
a conquista é efêmera
e nem sempre vale a recordação.

Sábado, Fevereiro 12, 2011

Tem mais

Vivo com uma menina cheia de vida,
uma lembrança cheia de morte,
uma saudade que me enche de amor.

Vivo por um coração que bate,
quando não apanha –
culpa exclusiva deste seu autor.

Vivo quando escrevo,
Vivo quando trabalho,
até quando me entrego ao pudor.

Vivo, porque isso ainda me cabe,
porque a vida sempre promete
um pouco mais de emoção.

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

Mãeee...Tem lua!

Meu querido Caio,
hoje, a noite tem lua
e meu coração flutua
só pensando em você.

Meu querido Caio,
tem dia que nem vejo,
mas a lua,
não tem como não ver.

E seja a lua que for,
a luz que revele,
a inspiração que vier.
Lua, a nossa lua
meu querido Caio,
brilha,
como sempre,
para eu estar com você.

Domingo, Dezembro 19, 2010

Ao léu

Vago pelos dias.
Quando aguento,
também pelas noites.

Vago, como os acontecimentos
que não se explicam,
vagam.

Irresponsáveis, divagam
pelos dias
e por outras tantas noites.

Quinta-feira, Novembro 25, 2010

Só um menino

Meu menino não é um anjo,
nem um gigante,
é só um menino que sonha em domar um dragão.
Ele é igual a muita gente,
que brinca de enfrentar leão.

E por ser pequeno
há quem confunda
tamanho com imensidão.
Mas meu menino só voa alto,
porque se arrisca a desenhar avião.

E entre tantos vôos rasantes,
não foram poucos
os que o levaram ao chão.
Mas meu menino,
como tantos,
chora e levanta
se lhe dão a mão.

É um menino,
de espada em punho,
às vezes, um grande urso,
um valentão.
Mas tem noite,
que dorme encolhidinho,
como qualquer menino
com medo de bicho papão.

E se ele se arrisca
na corda bamba,
o que ele quer é tocar violão,
afinado com o menino,
que ainda bagunça o meu coração.

Terça-feira, Outubro 26, 2010

Conta pra ele

Fale-me do seu Deus,
da piedade, da generosidade,
do afeto genuíno que pode ser
não se envolver por demais.

Fale-me tudo que sabe
de quem sabe tudo,
também quero saber
do amor que não se desfaz.

Fale-me de um Deus.
Um que não morra,
que não me faça chorar.

Fale-me do seu Deus,
e de mim a ele.
Diga que em mim
ele pode acreditar.

Segunda-feira, Outubro 25, 2010

Teoria e prática

No intervalo da teoria a prática
mora o que não se encaixa e
nem sempre dá para esclarecer.

São discussões intermináveis
e, na prática,
é geralmente a teoria quem tem a dizer.

E quem se prende aos fatos,
pouco encontra do que se valer.

De prático,
Só a complexidade que é viver.

Terça-feira, Outubro 12, 2010

Muda

Mudei.
Não sei bem o que,
não sei bem aonde,
só que mudei o rumo,
quando perdi o prumo,
ao ver tudo mudar.

Mudei o que julguei necessário.
Mudei o que pude.
Mudei o inserto.
Mudei de atitude.

Mudei o que dei conta.

E o que eu não mudei,
me mudou.

Terça-feira, Agosto 17, 2010

Por fim

Te encontrarei em um dia de sol
desenhado pela chuva
e, ainda aquecida por seu calor,
sem te tocar,
saberei da coragem e,
por fim,
chorarei sua ausência.

Mesmo que a dor não lembre mais,
mesmo que a falta não sinta mais,
mesmo que assim não o queira.

Revirarei meus sentimentos,
minha história, meus papeis,
e, enfim, e sempre,
te encontrarei.

Te encontrarei em um verso,
Te encontrarei em uma lembrança,
Te encontrarei em um pôr de sol.

Porque muitos ainda virão.
Porque a chuva seca,
porque a noite esconde o dia,
mas o sol só morre para os olhos.
Porque só a despedida é certa
na estrada incerta.
Porque houve um encontro.

E se breve, também marcante,
e se intenso, também frágil,
e se no começo, também no meio,
e se mortal, também eterno
como a procura.
Por isso, te encontrarei.
Um dia te encontrarei,
por fim.